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Gato com piada, ou afinidades politicas

Abril 8, 2007

Eu sou um confesso fã da série Gato Fedorento, e já disse muitas vezes que acho que o novo programa é para mim o melhor deles, onde explanaram toda a sua genialidade. E desde que eles vieram para a RTP, e se tornaram cabeça de cartaz da PT-Comunicações, que se tornaram figuras públicas com um poder muito invejável. Mas será que por isso qualquer piada que eles façam é boa, ou mais ainda, será que qualquer atitude que eles tomam é boa? O que quero falar é deste cartaz:

Cartaz do Gato Fedorento

Alvo de ruidosas criticas de “internautas” ligados à extrema direita, e que tinha como alvo o partido mais falado desse mesmo sector político, tornou-se imediatamente motivo de exacerbada felicidade de inúmeros políticos de secretária, e de muitos políticos profissionais. Logo depois quando foi mandado retirar, por falta de licenciamento do mesmo, foi um chorrilho de pessoas a questionarem a Câmara de Lisboa, havendo até quem chamasse a autarquia de xenófoba.

Mas o que tem este cartaz de especial, e que pontos positivos e negativos se encontram nele?

Positivos:

  • Tenta mostrar que a sociedade Portuguesa não é no seu todo racista e xenófoba, e que até tem boa vontade para os emigrantes, ao ponto de gastar dinheiro para tentar fazer passar um cartaz politico pelo ridículo.
  • Ter sido feito com humor.

Negativos:

  • Ter sido feito por um grupo que não é politico, tecnicamente, visto o seu membro de maior destaque aparecer em inúmeros comícios do Bloco de Esquerda (na plateia), e raramente falarem mal de partidos da extrema esquerda.
  • Ser o primeiro cartaz do género feito por estes humoristas, e sem qualquer objectivo (ou seja não tem qualquer referencia publicitária), fora o de ridicularizar um partido politico, que quer gostemos ou não é perfeitamente legal.
  • Ser ilegal.
  • Desrespeitar o Nacionalismo (que pode ver-se em qualquer dicionário que não é necessariamente algo xenófobo). Pessoas de bem dizem-se nacionalistas em vários sectores da politica, não quer dizer que tenham tendências fascistas.
  • Ser xenófobo. Sim, quando se diz que com um qualquer povo não se vai lá, está-se a ser xenófobo. Se se é parte do próprio povo a que se dirige a xenofobia, não se torna menos xenófobo. Exemplo: Hitler é, segundo muitos historiadores, de origem judaica. Isso não torna as suas politicas e ideologias não xenófobas para com os judeus.

Claro que as pessoas não ligaram e fizeram a festa. Porque? Porque estavam a chatear um sector da sociedade que fica bem dizer mal, sem pensar. Sim, eu considero o PNR um partido, e um partido perigoso, mas não pelos motivos que as pessoas tentam fazer. Tentar ridicularizar uma ideologia, ou apenas dizer que é má, só vai fazer com que mais gente pense que apenas os estamos a impedir de ouvir esse lado. E digam o que disserem, qualquer partido que aponte a emigração como um problema, num país onde ela praticamente não tem controlo, e aponte para as estatísticas de desemprego, terá pessoas dispostas a ouvir, e até a votar neles.

As poucas vozes dissonantes desta opinião geral sobre este cartaz, apenas referem o facto, muito interessante, de que foi um facto único. Se se tornar regular, deixará de ter o caracter partidário que tomou. Se começar-mos a ver as propostas do Louçã de impedir os policias de giro andarem armados (que já o fez por duas vezes sem nunca ser alvo de critica pelo Gato Fedorento), caricaturadas em cartazes do Gato Fedorento, retiro o que disse. Sim, mas só se os cartazes forem legais.

Citando o Diácono Remédios (do tempo em que o Herman fazia coisas com sentido): O artista é um bom artista, mas não havia necessidade…

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11 comentários

  1. concordo contigo, isto é muito verdade:
    “E digam o que disserem, qualquer partido que aponte a emigração como um problema, num país onde ela praticamente não tem controlo, e aponte para as estatísticas de desemprego, terá pessoas dispostas a ouvir, e até a votar neles.”

    O PNR é um partido muito perigoso, mas o suposto socialismo e as esquerdas mais fortes só dão razão ao nacionalismo. Não é por razão nenhuma que numa votação da treta do maior português de sempre aparece o salazar.
    Para mim é tanto anedótico o cartaz do PNR como o do GF, são dois extremos idiotas e desequilibrados. O primeiro porque não reconhece a importância da imigração e o segundo porque não reconhece a importância do nacionalismo. Estamos num país de extremos onde o centro tem dificuldades em afirmar-se, porque as pessoas não são educadas civicamente.


  2. Bem… para mim os dois primeiros pontos negativos são completamente superficiais. Por mais pouco político que alguém seja, tem no mínimo tendências partidárias. Para mim, não ridicularizaram um partido, este já o tinha conseguido com o cartaz.

    O exagero do cartaz dos gatos faz, para mim, parte da “paródia”. Quando se caricatura alguém, exagera-se.

    O cartaz original conseguiu-me ofender como portuguesa, que imagem transmite um cartaz, que embora possam avaliar como legal, é uma mensagem para mim claríssima de xenofobia? É vergonhoso que aquela mensagem possa ser considerada por estrangeiros como reflexo portugues.

    Em vez de me virar contra estrangeiros viro-me muito mais facilmente contra aqueles políticos que nada fazem, de contas bancárias recheadas que conseguem estoirar num dia o que provavelmente o meu extracto nunca verá numa vida.

    Pague-se bem, sim , mas a quem é competente. Se não o é, não deve estar num cargo de responsabilidade.

    (bolas, não acredito que estou a comentar algo político)


  3. É por estas e por outras que eventualmente deixei de considerar o PNR como um partido de direita para encará-lo como um grupo neo-nazi disfarçado (reparem que o mouro do cartaz do PNR é loirinho e tem os olhos azuis).

    Concordo com mandar para casa imigrantes ilegais e ainda mais imigrantes (legais ou ilegais) que cometam qualquer crime. Não concordo com um comportamento xenófobo exibicionista no meio da capital do meu país.

    E repara que apesar de não ser “ilegal” acho um abuso a propaganda política não precisar de autorizações pra plantar cogumelos onde bem lhe apetece.

    P.S.: Para ser nacionalista não é requisito ser do PNR (e ainda bem).


  4. Sou nacionalista e emigrante na Bélgica mas acho que a imigração deve ser bem regulamentada e ser acontecer dentro da lei, senão não é imigração mas invasão.


  5. […] Sobre o mais recente burburinho fedorento só me apraz subscrever este texto no Olhar Marciano: Alvo de ruidosas criticas de “internautas” ligados à extrema direita, e que tinha como alvo o p… […]


  6. Nice blog!


  7. Parece-me incrível que se discuta este tema com base em pressupostos legalistas. Então somos nós os primeiros a dar tiros nos pés e a sacar das leis para defender tipos que são potenciais homicidas, sustentados por causas inaceitáveis? Então somos nós os primeiros a lançar pedras a quem teve coragem (há quem passe este conceito com referências mais hortícolas)de fazer alguma coisa para chamar a atenção da consciência crítica social para o problema?
    Sim, para o problema. O problema de não se arrancar um cartaz de propaganda xenófoba e de se achar que isso é legal, porque supostamente aqueles criminosos estão organizados sob a forma de partido político. Será que não podiam obter uma decisão judicial para arrancar aquele cartaz? Os fundamentos que levaram à detenção dos organizadores de um mega-encontro de neo-nazis por parte da PJ não poderiam ter sido alegados antes para impedir o nosso país de se expor a tal ridículo, ao deixar estar em exibição tão inaceitável conceito propagandístico?
    Bravo Gatos! Haja quem tenha a coragem de se levantar e dizer que tem vergonha de ser português se para o ser tiver que se identificar com aquele tipo de mentalidade.
    Se o que vocês fizeram é legal ou ilegal? Estou-me nas tintas. A Resistência francesa era legal? O movimento dos capitães era legal? As músicas do Zeca eram legais?
    O que devemos perceber é que quando os valores são elevados os meios encontrados para os defender podem não estar de acordo com os padrões instituídos. Eles defendem os seus “valores” com métodos a meu ver ilegais e esta sociedade hipócrita tem vergonha de accionar os mecanismos para o demonstrar. É mais fácil deitar abaixo um cartaz de um grupo de pessoas civilizadas que se sabe perfeitamente que nada de violento vão fazer contra quem o retirar. Mesmo que essas pessoas tenham exercido um direito de responder, em consciência, a uma agressão grosseira aos valores da civilização, naquilo que me parece ser um acto de “legítima defesa”.
    Quem não tem… vá à praça, se não tiver horta…


  8. O Ricardo Araújo Pereira já afirmou várias vezes que o papel do humorista não tem que ser imparcial (ele próprio satirizou isso em dois “Diz que é uma espécie de magazine”). Se ele satiriza os partidos de direita (os mais “extremistas”, dentro do que a constituição aceita), não tem que satirizar um partido de extrema-esquerda na semana a seguir para equilibrar. Não sendo eu nem de um nem de outro, não acho piada a que assim seja, mas é um facto que ele tem razão.

    O cartaz pode levantar muitas questões, mas prefiro ficar-me pelo facto de ter piada. Todas as facas têm dois gumes.

    Cumprimentos
    Tripla Demência


  9. Não consigo achar piada ao cartaz… por mais que me esforce… como também já não vou achando tanta graça aos Gatos Fedorentos, que penso devem começar a reavaliar o caminho a seguir… a PT e a RTP pagam bem, mas não é tudo… exigem muito…até o que não devem!
    Quanto aos imigrantes, de que nos queixamos? Sempre fomos um país de emigrantes… isso não era problema… agora já é problema os outros virem para cá? Tal como nós fomos fazer o que os outros não faziam ou não queriam fazer nos seus países, também a estes que para cá vêem acontece o mesmo! Ou é dois pesos e duas medidas?

    Cpts
    Manuela


  10. A proposta do Louçã não é extremista nem é de esquerda: Na Inglaterra e em muitros outros países os polícias de giro não andam armados com armas de fogo. Em compensação os polícias de intervenção andam melhor armados. A mim parece-me uma boa ideia ter polícia de intervenção com boas armas do que ter polícias de giro com armas que não vão utilizar.

    O PNR integra homicidas nas suas listas (o candidato número 2 à câmara de Lisboa já matou um homem e está neste momento preso por posse de arma e tráfico de droga).
    O Bloco não. O PNR é um braço político da organização para-militar Frente Nacional. O Bloco é contra a violência.

    O líder do PNR afirmou na televisão que quer ver Portugal a expulsar “negros, asiáticos e até mesmo judeus”. Isto é uma afirmação extremista.

    Nunca nenhum líder do bloco de esquerda fez a apologia da violência nem proferiu afirmações descriminatórias. A proposta de legalização da marijuana (como já acontece em vários países europeus) é a medida mais “extrema” imputada ao bloco de esquerda. Isto não é comparável com as medidas xenófobas propostas pelos homicidas do PNR.

    Quanto aos teus pontos negativos:

    1- O Ricardo tem todo o direito de ser político. Porque não pode ser? Os humuristas não têm direito à liberdade ?

    2- Ridicularizar um partido político com que não se concorda é um ponto negativo? Então todos os cartazes das campanhas de Durão Barroso contra o PS pecam pelo mesmo mal.

    3- Se for moralmente e éticamente louvável, dizeres “ser ilegal” no sentido de código civil tem pouco significado. Não é um crime. Não faz mal a ninguém. Vai contra uma norma da câmara, é verdade, so …”big deal …”

    4- Estás errado. Estás a confundir com patriotismo. Nacionalismo é aquilo que é chamado de extrema-direita, e que é combatido pelos partidos democráticos em toda a europa.

    5- Xenofobia : XENO (estrangeiro) FOBIA (medo, aversão) não pode ser aplicada aos habitantes do próprio país. Um português que não gosta dos portugueses não é xenófobo. Portanto estás errado mais uma vez. Para mais, fica evidente no cartaz que essa afirmação é a gozar.

    Finalmente, desde que foi posto o novo cartaz do PNR um grupo de cerca de 10 skinheads fortemente armados patrulhou a zona à volta do cartaz durante várias semanas, intimidando transeuntes que por lá passavam. Gostava de ver-te insurgir contra isto.

    Eu gostei muito de ver que em Portugal ainda há gente a quem mete nojo a forma como a extrema direita quer tratar os imigrantes, os mulatos, etc.

    Fiquei muito contente de ver ideias xenófobas ridicularizadas na praça pública. Acho que qualquer pessoa de bem ficaria contente em ver a xenofobia ridicularizada.


  11. O que me parece foi que nos pontos positivos esforçaste-te para arranjar alguns e nos negativos puseste todas as asneiras que te vieram à cabeça.
    disseste:
    “Tenta mostrar que a sociedade Portuguesa não é no seu todo racista e xenófoba”
    -alguem pensou que a sociedade portuguesa era toda racista por causa do cartaz do PNR? qualquer pessoa consciente ve que aquilo foi ideia de um pequeno grupo de atrasados mentais.

    “e que até tem boa vontade para os emigrantes, ao ponto de gastar dinheiro para tentar fazer passar um cartaz politico pelo ridículo”
    -parece que tás a falar dos emigrantes como animais e que 10 euros gastos na impressão dum cartaz é dar-lhes muita importancia.

    “Ter sido feito por um grupo que não é politico”
    Isto é uma resposta a um cartaz, exprimindo a opiniao pessoal de 4 pessoas sob forma do humor. Se pensas dessa maneira, já que não estás na politica nao podes dar opinião. Quer seja em artigos, debates ou mesmo cartazes.

    “raramente falarem mal de partidos da extrema esquerda”
    se falassem mal dos partido de extrema esquerda estavam-se a contradizer em muitas coisas que já disseram anteriormente. O extremo não significa necessariamente mau. Mas obviamente quando vai para sentidos desumanos, esses partidos nem deviam existir.

    “Ser o primeiro cartaz do género feito por estes humoristas”
    Atão por ser o primeiro é condenavel? Se fosse o segundo e disparatado já era muito bom?

    “Ser ilegal”
    muitas das leis que temos não nos dão liberdade que desejariamos e daí que para tentar tomar posições críticas com maior relevo, o acto ilegal seja uma saída obvia. Exemplo são revoluções de liberdade feitas em muitos países ,como disse o henrique.

    “Desrespeitar o Nacionalismo”
    O excesso de nacionalismo leva obviamente ao racismo e à xenofobia. E é esse excesso que eles tão a falar.

    “Ser xenófobo”
    Anteriormente falaste bem de ser um cartaz com humor. Ora, uma das técnicas de humor muito usadas inclusive pelos Gato Fedorento é o exagero para contrariar um tema. Neste caso é feita um critica directa ao outro cartaz e só uma pessoa muito burra leva a mal a frase “com portugueses não vamos lá”. Trata-se de ironia colocando essa frase na boca dos membros do PNR se lhes desse uma volta de 180º à cabeça.
    Obviamente nenhum partido da esquerda disse alguma vez uma frase com esse sentido, neste caso os dois lados dos extremos não são totalmente opostos.



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