# Francisco Louçã – Bloco de Esquerda
Para mim uma das figuras politicas de menor valor da nossa praça. E isto tudo devido ao facto de como este senhor encara a politica. As suas ligações no passado a partidos, inclusive tendo sido presidente de um deles, que apoiaram as FP25 de Abril (para quem não conhece foram a ultima organização terrorista a colocar bombas e a fazer mortos em território Português), e rumores de ele ter integrado estes grupos, o meu descontentamento com este senhor é de outro âmbito: o Populismo. Na onda do que o senhor Paulo Portas fez no CDS-PP, Francisco Louçã atira areia para os olhos das pessoas falando sempre das mesmas coisas, as minorias. Ora é o assunto da droga, ou o aborto. Os imigrantes, ou os coitadinhos dos criminosos que são sempre criminosos apenas por terem nascido pobres. Esta mania de ver as coisas pelo lado das minorias tem um grande problema, as maiorias. Sistematicamente Francisco Louçã se afasta dos assuntos importantes que nos preocupam a todos, apenas quer ver os problemas mais locais para sacar mais uns votos. E depois a situação económica do país é encarada com uma displicência brutal por parte deste senhor, que apenas diz “Devemos dar mais dinheiro aos trabalhadores”. Eu concordo com isto, mas em vezdo “que” ele deveria falar dos “como”. Admito perfeitamente que um homem como Jerónimo de Sousa se atrapalhe nestas questões e fuja para os clichés, mas a Francisco Louçã não. Isto devido à profissão de Francisco Louçã, professor Universitário de Economia no ISEG. Devia falar mais de Portugal como um todo, e não apenas das minorias e problemas de alguns.
Nesta campanha tem-se dedicado a caçar os erros de Cavaco Silva, e de vez em quando de Manuel Alegre, será que é mais importante apenas atacar os outros do que apresentar propostas sérias?
# Garcia Pereira – PCTP-MRPP
Por vezes será o candidato mais menosprezado pela comunicação social, o que lhe pode dar sempre aquela aura de simpatia. O partido que representa, e que à muito tempo o tem como figura de proa, e quase como a única figura, é um resquício do PREC (Período Revolucionário em Curso, o tempo pós 25 de Abril em que as convulsões politicas eram constantes, e partidos mais ou menos extremistas apareciam todos os dias), e que sempre se orgulhou das suas ligações Maoistas. Por um lado é algo que me choca um pouco, visto sou contra qualquer tipo de ditadura, no entanto não deixo de apreciar o homem que está há tanto tempo à frente deste partido. Garcia Pereira é um advogado conceituado da nossa praça e professor em diversas universidades, e não duvido que se tivesse feito como Pacheco Pereira e Durão Barroso (também membros do MRPP durante o PREC), e saído para um partido centrista, teria a esta hora uma carreira politica a nível muito mais elevado. Mas ao não o fazer mostrou que era um homem de convicções fortes.
Nesta campanha tem defendido a nossa lei como poucos, fazendo queixa à Comissão Eleitoral de todas as irregularidades que encontra, o que para muitos pode parecer um “queixinhas” para mim mostra um homem que quer que o “jogo” seja gerido pelas regras que estão aprovadas. Tem tentado fazer uma campanha de proximidade, se bem que pouco preocupado com problemas gerais também, mas não tem entrado no jogo de ataques pessoais como outros. Admiro este homem, tal como admirei Álvaro Cunhal, apesar de discordar fortemente das políticas que ele defende.
# Jerónimo de Sousa – PCP
De todos os candidatos é provavelmente aquele que tem menos currículo, a nível académico/profissional, isto não menosprezando a classe dos operários Metalúrgicos e Metalomecânicos. Sendo um membro do aparelho interno do PCP, podemos considerá-lo um político profissional, desde os dias do 25 de Abril, visto os políticos do comité central do PCP serem trabalhadores a tempo inteiro deste, recebendo um ordenado. Logo nos últimos anos este senhor apenas tem sido um político. Durante a campanha para as ultimas eleições legislativas disse muitas vezes que este senhor me estava a surpreender pela positiva, tentando exprimir as suas políticas a todos os níveis, quer sejam estas nacionais, locais e até internacionais, evitando os ataques a outros candidatos. No entanto surpreendeu-me bastante pela negativa nesta campanha. Ataques directos e frontais ao que parece ser o “Papão” destas eleições, Aníbal Cavaco Silva, entre alguns menos usuais a Manuel Alegre e Mário Soares.
Ao contrário do que tinha acontecido nas legislativas, não tem a minha simpatia, tal como outros candidatos que perdem mais tempo em atacar as pessoas do outro lado, do que a expor ideias.
# Manuel Alegre – Independente
Se existem pessoas que me fazem acreditar na política, este senhor é uma delas. Celebrizado no programa televisivo como o homem que ninguém cala, é isso que ele é na realidade. Um homem que é poeta, e foi soldado, mesmo estando contra o regime da época e contra essa guerra. Quando questionado porque tinha aceitado ir para a guerra e não fugiu do país logo ai, a sua resposta foi clara: “Se o resto da minha geração vai viver e morrer por esta bandeira é meu dever ir também”. É destas coisas que se fazem verdadeiros homens, por mais que posteriormente até tenha se exilado do país devido ao regime da altura o perseguir. Um homem destes não se dobra, só existe uma maneira de o vencer que é conseguir quebrá-lo, o que também não é fácil. Avança para estas eleições porque tem a ambição de ser Presidente, e disse-o claramente. Não avançou para não deixar A, B ou C ganhar, mas sim para ele próprio ganhar. E não se vergou ao gosto do seu partido em que o candidato fosse outro, e usando o seu direito de cidadania de se candidatar, avançou e disse, eu estou aqui, tornando-se o único candidato verdadeiramente independente. Apesar de não estar de acordo com muitos dos seus ideais políticos, e ao contrário de Garcia Pereira, acho que daria um bom Presidente.
Nesta campanha tentou falar de inicio do que queria e porque se candidatava, tendo apesar de poucas vezes, caído também no campo dos ataques pessoais a Aníbal Cavaco Silva, e respondendo a algumas provocações do seu amigo Mário Soares. No entanto, se eu pudesse atribuir um prémio de simpatia nestas eleições, seria a este Homem.
# Mário Soares – PS
Há cerca de um ano via-mos na televisão um Dr. Mário Soares, politico do passado, guerreiro de outras lutas, a dizer que tinha chegado ao fim a sua vida politica activa (tal como tinha feito aquando da sua saída de Presidente da Republica, apesar de uns anos depois ter voltado para se candidatar a deputado Europeu). Com um certo desespero por parte de alguns membros do PS, e principalmente do seu Secretário-geral, Eng. José Sócrates, ao ver a possibilidade de Cavaco Silva se candidatar, aceitou ser o candidato. Foi interessante ver a cara deste senhor ao aceitar a candidatura, qual D. Sebastião regressado para trazer a paz e prosperidade ao nosso pais perante a invasão de um mal maior. No entanto eu acho que Portugal precisa de homens, não de pessoas do passado a regressar do descanso para nos salvar de um mal, que parece que era até o próprio povo que o queria, sim porque as eleições são democráticas. As cenas do passado, de cuspir em bandeiras nacionais enquanto estava no exílio, e ridículas, como as viagens “de estado a ilhas do pacifico onde era só fotografado de calções em cima de tartarugas”, não devem ser trazidas para o presente, pois são apenas assessorias. O que nos devemos lembrar? Das incoerências do discurso. Primeiro diz que o Professor Cavaco Silva é um perigo para o governo, pois ele poderá dissolver a assembleia caso ache que o governo não esta a ir pelo caminho que considera melhor. Eu considero a dissolução algo perigoso, e que deve ser usado com cuidado, e o Professor Cavaco Silva afirma o mesmo. O Dr. Mário Soares no entanto enquanto Presidente usou esse poder uma vez, para dissolver um governo do Professor Cavaco Silva, o que resultou num fracasso político para si, visto o PSD ganhou as eleições dai resultantes com uma maioria absoluta. Se existe alguém que os portugueses sabem que não tem medo de usar esse puder quando está no poder quem não “veste a sua camisola” é o Dr. Soares.
Depois toda esta candidatura tem passado quase ao ridículo, de ataque em ataque aos mais variados candidatos, parecendo quase um psicótico a ver perigos por todo o lado. Ora é Cavaco um perigo, ora é Manuel Alegre ter falta de experiência. O senhor Presidente simpático das bochechas, figura mítica do nosso passado recente, transformou-se aos olhos de grande parte do povo no “Velho Gagá” que tem medo de tudo e ataca antes de puder ser atacado. Não duvido que quem mais perdeu com esta campanha foi o próprio Dr. Soares, que tinha um lugar na nossa história como um homem simpático, e passou agora uma imagem que o vem a denegrir bastante.
# Aníbal Cavaco Silva – PSD (apesar de Independente no papel, e apoiado também pelo CDS-PP)
Uma coisa é certa, Cavaco Silva é o candidato do PSD. Assumiu a sua candidatura sozinho, como deve de ser feito nestes casos, mas não deixa de ser o candidato do PSD. Foi presidente deste partido e governou o país com as pessoas do aparelho do mesmo. As pessoas que mais apoio lhe dão nesta campanha são do PSD, e penso que o Professor só ganharia em deixar de dizer que era independente e dizer que era o candidato do PSD. O CDS-PP, apoia Cavaco mais por não ter nenhuma alternativa viável, e por confiar no currículo impressionante do Professor. Aníbal Cavaco Silva, apesar de ter nascido numa família humilde no Algarve, foi subindo na vida, chegando a professor Catedrático, e depois disso a ministro das Finanças do governo de Francisco Sá Carneiro. Nunca se admitiu como um politico profissional, e na realidade não o é. Cavaco Silva é um executivo, um homem de trabalho e não um politico, um homem de discursos e muitas falas. Vê-se isso claramente aquando dos debates televisivos, em que homens com grande craveira politica, e dom da palavra, como Mário Soares, lhe trazem grandes problemas. A sua vida depois da derrota eleitoral nas presidenciais de 95, foi parcialmente de afastamento político, fora uns comentários na imprensa, e de dedicação ao ensino Académico, coisa que ele diz ser a sua vida. O gosto com que mostra a sua Universidade à imprensa, e as notas dos seus alunos de mestrado, mostram um homem que realmente gosta do que faz. É visto como um “papão” por toda a esquerda, que viu nele o homem que poderia granjear facilmente o apoio popular que lhe falhou a 10 anos, e unir toda a direita e o centro em seu redor. Porque? Porque já tinha abandonado o governo à 10 anos, e a imagem do homem talvez um pouco frio e sem medo de tomar medidas impopulares se tinha desvanecido, ficando apenas a imagem do homem de trabalho que tudo fez para melhorar o pais, sendo as suas opções boas ou más consoante quem as vê. Uma coisa interessante é que nunca foi acusado de desonesto, nem por Mário Soares, que foi quem mais o atacou, e quando confrontado com um popular a chamar desonesto a Cavaco, o Dr. Soares logo afirmou que admitia que chamassem muita coisa a Cavaco, mas que homem honesto ele era de certeza.
Nesta campanha tem tentado parecer menos frio e deixar de lado a imagem de arrogância que muita gente tinha dele, tentando ir mais de encontro as pessoas. Pessoalmente acho-o o melhor candidato.
Dia 22 saberemos o que Portugal acha. Apenas um pedido, todos os que lerem isto, e possam, votem, nem que seja em branco.