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Uma greve original

Maio 31, 2007

Com mais uma greve passada, desta feita teoricamente geral, tenho de honrar a minha palavra e admitir que desta vez me enganei. Não foi pelo facto de ser mais uma greve que não trouxe nenhum beneficio pelo qual foi anunciada, ou seja reevindicações políticas. Também não foi o facto de que funciona quase exclusivamente para o sector público, pois na prática mais uma vez apenas estes fizeram greve, fora raras excepções. O caso é outro, e bem mais estranho: não foi na vespera de um feriado, nem numa segunda ou sexta-feira. Chocante.

Sim, por incrível que pareça desta feita não foi um fim de semana prolongado, nem uma ponte sacada de maneira estranha. Foi mesmo um dia de descanso não remunerado a meio de uma semana.

Claro que para muita gente, bem talvez não seja assim tanta pois o PCP cada vez tem menos apoiantes, isto foi uma forma de protesto duríssima para com o governo. Realmente deve ter sido, visto o nosso Primeiro-Ministro estava de urgência reunido com o seu gabinete para acompanhar a crise provocada por tamanho protesto. Espera lá, ele não estava na Rússia a fazer jogging para os jornalistas verem?

Bem, mas numa coisa a greve funcionou, complicou a vida de quem quis trabalhar, e activamente tentar aumentar a produtividade deste país. Sim, porque por incrível que pareça, ao trabalhar mais, e especialmente melhor, aumentamos a produtividade, e consequentemente a economia. Algo que por acréscimo, e a longo prazo aumenta o nível de vida e remuneração dos habitantes deste rectângulo à beira mar plantado.

Mas o que mais gostei foi o assumir público de que isto ia ser um dia de folga em vez de um dia de protesto. Sim, porque quando se marca uma greve geral com pompa e circunstancia, mas nem sequer se dá ao trabalho de fazer uma manifestação, é claramente dizer que estão apenas a tirar um dia de folga.

Ou será que o meu olhar marciano não viu as pessoas a ficarem nos seus postos de trabalho mas em protesto, enquanto todos os outros as viam?

6 comments

  1. “Sim, porque quando se marca uma greve geral com pompa e circunstancia, mas nem sequer se dá ao trabalho de fazer uma manifestação, é claramente dizer que estão apenas a tirar um dia de folga.”


  2. Menos mal que são cada vez menos os que acham que parando o trabalho vão conseguir aumentar alguma coisa que valha a pena… como o emprego, produtividade, salários… ridícula esta carneirada que ainda vai atrás de sindicatos completamente desactualizados da realidade, sem causas e mais grave ainda… sem princípios…


  3. “Sim, porque por incrível que pareça, ao trabalhar mais, e especialmente melhor, aumentamos a produtividade, e consequentemente a economia. Algo que por acréscimo, e a longo prazo aumenta o nível de vida e remuneração dos habitantes deste rectângulo à beira mar plantado.”

    Acreditas mesmo que o aumento de produtividade vai trazer mais emprego e melhores salários só porque os patrões por se verem com mais dinheiro nos bolsos se vão transformar em Santas Casas ambulantes? Já escreveste a tua cartinha ao Pai Natal?


  4. Não vou entrar pelo sarcasmo do pai natal, mas aqui também não concordo contigo. Lá que os sindicatos não estão organizados ainda vá, mas daí a dizer que as greves apenas impedem o progresso… Nas ditaduras também não há greves, não é? Agora o problema é que a maioria das pessoas não adere às greves; se aderisse não havia necessidade de tantas. E se não fosse este “empatamento” então nem se fala.
    Mas também sei que essa maioria ou não se pode dar ao luxo de perder um dia de salário ou então é comodista demais (por exemplo, nas escolas quem faz greve são n maioria auxiliares, a maioria dos professores ‘tá ‘queto, greve de zelo no máximo.)
    Se bem que quando a função pública faz greve são menos uns milhões que o estado gasta, mas seja…


  5. Aumentar a produtividade para o Paulo Teixeira Pinto comprar outro iate? Aumentar o trabalho para os filhos do Mello comprarem outro Ferrari?


  6. Muito bom blog!
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