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Se a tentativa não for abortada. aborta-se

Setembro 29, 2006

Se existe questão delicada em termos de politica popular nos últimos anos em Portugal, essa é a legalização do aborto. No entanto parece que a proposta para a realização de um novo referendo vai finalmente avançar, e ser aprovada ao que tudo indica, e deixado de novo à vontade popular como na década de noventa.

Na altura os Portugueses votaram Não. Este foi o não menos ouvido por muita gente durante os últimos anos, visto ainda antes dos jornais com os resultados ganharem pó, já existiam muitas pessoas que pediam um novo referendo, ou para passagem directamente na assembleia. Durante estes anos fui sempre dizendo que não a estas duas hipóteses por motivos de coerência. Se o povo, e não me venham com a lógica da abstenção, porque quem quis ir votar foi, disse não, então a assembleia da Republica tem o dever moral de não legislar o assunto directamente, só uma nova votação popular. E não queria um referendo logo de seguida pelo simples motivo de não gostar da lógica de tentar ganhar algo pela exaustão do adversário. Quem pedia isso, com o Dr. Louçã à cabeça, faz-me lembrar aquelas crianças que quando lhe dizem não a algo repetem o pedido tantas vezes quanto possível até receberem o sim. No entanto sempre disse que ao fim de uns anos, na minha óptica seriam dez, a pergunta devia ser devolvida aos portugueses. O que parece que irá acontecer agora.

Tenho de louvar desde já algumas pessoas, algo infelizmente raro por aqui, por terem tido um comportamento que devo louvar. O Primeiro Ministro, o líder da oposição e o Presidente da Republica falaram calmamente do caso, e em acordo partiram para esta consulta popular, sem demagogias nem populismos, o que me deixa feliz. Mas a posição que mais me surpreendeu pela positiva foi a do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Apesar de ser público que é contra o aborto, disse desde logo claramente que a Igreja não iria tomar qualquer tipo de partido em discussões legais ou politicas, apesar de continuar moralmente a manter toda a doutrina. Ou seja fez aquilo que tantas vezes os lideres religiosos se esquecem de fazer, e seguiu Jesus Cristo quando este disse “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Não vou ser ingénuo ao ponto de pensar que todos os padres vão cumprir com esta directiva do líder da Igreja Católica portuguesa, e infelizmente penso até que mais de metade vai usar o púlpito para tentar fazer a parte de César e não só a de Deus. Mas não é por isso que deixo de louvar o Cardeal, e me faz subir ainda mais a consideração que tenho por ele, como homem culto, inteligente e equilibrado.

Quanto à minha posição e voto em relação ao aborto e algo de muito complexo. Pessoalmente sou cem por cento contra o aborto. Acho que a nossa lei prevê todos os casos onde o aborto deve ser permitido, e que é equilibrada. Mas isto seria num mundo onde as cores fossem apenas o preto e o branco, e penso que grande maioria das pessoas, gostava de acreditar que fossem todas, quando se submete a um aborto deve sentir as piores coisas, e é algo que dificilmente se esquece. Quem sou eu para dizer não? No entanto temo que caso o aborto passe a ser legal se torne uma medida contraceptiva coisa que me repugna. E a taxa de utilização da pílula abortiva, ou como é politicamente correcto lhe chamar pílula do dia seguinte, em Portugal só aumenta o meu receio. Acho que o mais provável é quando vir o papel do voto à minha frente, porque como sempre não me irei abster, será apenas dobrado, sem nenhuma cruz.
Mesmo assim acredito que desta o referendo acabe com um Sim à legalização do aborto, e se for essa a vontade do povo, eu, e o meu olhar marciano, aceito.

17 comments

  1. Eu só gostava era que os referendos podessem ser simples e dizerem: “Aceita a despenalização do aborto? Sim/Não” em vez de perguntas complexas que muitas vezes confundem pessoas menos instruidas, e com tantas que infelizmente ainda existem no nosso pais…

    Quanto á questão do aborto sou cem por cento a favor da sua despenalização visto que defendo um estado menos “paizinho” (nem tudo precisa de ser legislado) MAS no entanto creio que não é o dever do serviço nacional de saude de o praticar.

    Porém tenho de concordar contigo quando expressas o teu medo que o aborto se torne uma medida contraceptiva em vez de um caso de ultimo recurso pelo que deviam ser tomadas precauções para tal na lei (como a obrigação da receita de um medico e a impossibilidade de o fazer no serviço nacional de saude como disse acima, creio que seriam boas formas de disuadir o recurso a esta acção).


  2. Nunca deixar o boletim de voto em branco!
    Todos nós devemos lutar contra a corrupção; se não se consegue votar devidamente, que seja nulo! Façam bonequinhos, cruzes em todo o lado… Mas não deixem em branco. É fácil acrescentar uma cruzinha num boletim em branco, sem haver problemas nas contagens. Por muitas técnicas que se use para não permitir isso, mais vale não correr riscos.
    De resto, gostei das tuas palavras. Apesar dos receios, acho que tens a opinião suficientemente formada para votar com uma cruz num único quadrado.


  3. Bom post, concordo com a liberalização do aborto, mas como limites, e espero como tu, que não seja uma medida “contraceptiva” como aí dizes, ou que possa ser feito por dá cá aquela palha.


  4. errata: “… com limites…”


  5. Eu seria a favor da liberalização do aborto, mas não tenho posição pois tenho consciência de que este país não tem meios para tal. O aborto deve ser feito em determinado tempo, e os nossos serviços de saúde não têm disponibilidade nem meios para tal. Já basta as complicações com outros casos mais graves e urgentes (em vários casos de vida ou morte).

    Além disso há por cá um “problema de mentalidade” crítico(como já foi referido), é realmente muito provável que o aborto passe a ser utilizado, em demasiados casos, como uma espécie de “contracepção” (apesar das consequências e riscos desta prática, há por este pedaço de terra à beira mar plantado muita gente que é alérgica à contracepção normal).


  6. Sem dúvida um assunto mto delicado.
    Gostei do q escreveste e da forma como o fizeste. Senão temos o direito de tirar a vida a ninguém em outras circunstâncias, e qdo isso acontece somos penalizados por isso, pq deveremos tê-lo neste caso? A verdade é q ninguém vê o embrião como uma vida e é-o de facto. E se a nossa lei já prevê os casos onde é permitido abortar então pqê e para quê novo referendo? Esperemos q não se vá tornar no “novo método contraceptivo”, como já foi referido aqui várias vezes. *


  7. “e se for essa a vontade do povo, eu, e o meu olhar marciano, aceito.”

    é dificil para mim aceitar um homicidio, seja ele legal por vontade do povo, ou nem por isso…

    mas sim, foi um bom post, de uma pertinencia louvavel, como já vejo ser habito nos olhares marcianos…


  8. Está cientificamente provado que antes dos 3 meses (salvo erro) a criança não tem o cerebro suficientemente desenvolvido para sequer manter as funcionalidades biologicas basicas quanto mais sentir… Até porque a noção da realidade é algo que só acontece por volta dos 2 anos… Como tal não considero homicidio tal como não considero homicidio matar um animal para saciar a fome de alguem…

    Se acho que deva ser feito ou não é outra historia mas não vamos denegrir o nome de pessoas que preferem abortar do que trazer mais uma criança para sofrer com uma vida de pobreza e muito possivelmente falta de amor dos pais por ser indesejado (se alguma vez os conheçer).


  9. Penso que antes de gastarmos dinheiro com referendos contra ou abonando o aborto acho que deveria ser investido algum esforço na melhoria da resposta às situações já previstas pela lei.

    Só depois de as pessoas verem que a lei ( a sua ideia) não resulta é que deveria ser feito o referendo.

    Não estou a dizer que o referendo não seja feito, defendo é que se deveria primeiro fazer um esforço para a lei actual se mostrar, ou não, adequada.

    Caso o aborto for legalizado, os problemas referente ao tempo de espera (e os embriões não param de crescer) não se vão resolver pela simples cruz no sim.


  10. O assunto não é passível de ser discutido de ânimo leve, penso que não é fácil uma pessoa nos dias de hoje ter uma opinião radical sobre o assunto. Ambos os lados da contenda, possuem argumentos a seu favor. Tendo em conta certos condicionalismos, sou a favor, porém a lei tem que ficar clara e ser o mais explicita possível.


  11. umbrabelfagor desde o momento em que mulheres são colocadas em tribunal e maltratadas na praça publica pelo unico crime de não quererem ter um filho e terem abortado está provado que a lei é vergonhosa… De resto temos de separar a discussão da lei da discussão da moralidade do aborto e é ai que os partidos de direita na maioria das vezes tentam fazer as pessoas confundir as coisas porque falam logo no “direito á vida”…

    O que está aqui em questão é unica e exclusivamente a despenalização do aborto e não a sua aceitação moral pela sociedade ou não, nesse ponto todos somos diferentes e não há qualquer base para discussão politica (apenas ideologica)…


  12. Eu sou contra o aborto. Eu sou a favor do aborto. Como diz, o mundo não é preto e branco; existe também o cinza e a vários tons!

    Ignotu
    https://mochodepenado.wordpress.com


  13. [...] Mas se somos uma democracia, e acreditamos na liberdade de expressão, devemos aceitar quando algo é remetido para a vontade popular. A minha opinião sobre este tema em si já foi dada aqui, por isso não a vou repetir. [...]


  14. Primeiro o prazer , depois o filho…
    pq abortar? ñ fez? agora aquenta.Na hora de fazer e muito bom né? mas na hora de asumir uma responsabilidade ninguem quer, pq ñ faz direito? martar uma criança por causa de um vacilo ñ resolve nada quem mata uma criança q na cituação é samgue do seu samgue e parte de vc; ñ deve recerber o minimo respeito da sociedade, isso e falta de carater.
    EU sou contra o aborto em quelquer cituação.E com toda siceridade EU pessoalmente acho q quem apoia o aborto ñ merece o minimo de respeito tambem.Um filho e presente de Deus e a coisa mais maravilhosa que uma mulher de verdade pode ter;pena q o sol nasce p/ todos e muitas q ñ merecem e ñ tem capacidade p/ ser mãe podem ter filhos.matar um filho….
    Fim de um sonho!!!!!!


  15. Cara Thaysa vou só rematar uns quantos pontos:
    1 – Não sou religioso portanto não acredito em nenhum “presente de Deus”
    2 – Existem milhentas situações em que poderia ser necessario abortar sem ser essa particular do “prazer” que enunciou: falhas na contracepção (os preservativos também se rompem sabe?), mães solteiras, falta de condições economicas, etc.
    3 – Uma criança não é considerada medicamente viva até o cerebro e coração estarem vivos o que só acontece por volta das 14 semanas salvo erro.
    4 – De acordo com o que se sabe hoje da psicologia humana uma criança não se destingue a si propria da mãe até aos 2 anos de idad (salvo erro novamente) logo não percebo como pode sequer ser considerada viva se não tem sequer sentido de inidividualidade (mas como não sou nenhum animal considero vida a partir do momento em que o cerebro está activo e o coração bate).


  16. dextro é mexmo otario.
    as gajas k matam os filhos merexiam ser prezas, max agora o aborto é legal, n a nada a fazer.
    só sou a fabor o aborto em caso de violação ou se a criança n é perfeita i os pais n têm posiblidade de ter 1 criança axim.
    em caso de o prexerva romper k tivexem kuidado
    a gaja devia tomar a pilola, n a protegia ds doenxas como o prexerva mas impedia a gravidex indexejada


  17. PS: no tempo em k o aborto era crime 1 visinha da minha avo foi morta na prixao por ter obortado



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