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Tudo o que você queria saber

Setembro 18, 2006

O jornal Metro é um dos meios de imprensa mais lidos actualmente em Portugal, muito devido ao seu formato de distribuição na rede de transportes públicos, e de forma gratuita. Nem sempre a qualidade dos artigos é a melhor, mas como é gratuito e de fácil acesso acaba por ser uma leitura que faço quase diariamente nas minhas deslocações. Normalmente abro logo na página das crónicas, que são feitas por rotativamemente por cinco pessoas, e que costumam ter mais qualidade que a generalidade do jornal.

Hoje porém uma chamada na primeira página fez-me alterar a minha ordem tradicional de leitura, lançando-me directamente para a página doze do jornal. A frase era: Tudo sobre a banda larga sem fios. Logo me veio à cabeça o artigo que escrevi à uns dias, sobre a expansão das redes Wi-Fi em Lisboa, e nos seus riscos de segurança. Artigo que até tinha tido um comentário a sugerir que algo do género fosse publicado na imprensa generalista, de modo a chegar à grande maioria das pessoas. Vorazmente galguei as páginas do jornal até chegar à página referida, e logo apanhei um susto: metade da página era um anúncio aos Morangos com Açúcar… Consegui conter o grito que me veio à garganta, pensando que jornais gratuitos têm de sobreviver à custa de publicidade, e que aceitar qualquer tipo de publicidade, fora pornográfica, para ganhar uns trocos é um mal necessário. Bem, por acaso daria um artigo interessante um sobre qual a publicidade que o publico preferiria no jornal, Morangos com Açúcar ou pornografia… Mas deixando isso para depois, lancei-me à leitura do artigo que prometia falar tudo sobre a banda larga sem fios.

Neste artigo referiam os seguintes pontos, que vou listar para ser mais fácil a sua compreensão:

  • As três operadoras móveis portuguesas já têm serviços de Internet 3G:

  • É possível mesmo sem possuir um modem 3G no portátil aceder à Internet usando um telemóvel de 3G desde que esse se ligue ao PC por IrDA, Bluetooth ou cabo;

  • Existe outro tipo de serviço da Zapp que usa modems USB para se ligar à Internet com velocidades até 1.4Mbps.

E pronto, foi isto tudo o que referiram, ou seja, isto é tudo o que é a banda larga sem fios. Realmente pela maneira de abordar o artigo, as redes Wi-Fi caseiras fazem sentido terem sido deixadas de fora, apesar de eu gostar do tema, e de achar que deveriam ter um artigo sobre isto em breve, mas vamos lá por pontos em relação ao que falta no artigo:

  • Falam nas três operadoras móveis oferecerem serviços de acesso à Internet via UMTS, mas nunca referem os equipamentos a usar (como referem no caso da Zapp), nem as suas velocidades máximas.

  • Não referem as vantagens e desvantagens das ligações ao PC via cada uma das três alternativas, nem dizem sequer qual a mais aconselhada.

  • Não referem a utilização de placas PCMCIA, que na minha opinião são muito mais fiáveis que os modems USB.

  • Nunca referem, para nenhum operador, qual o preço máximo e mínimo que se pode gastar num plano de navegação proposto.

  • Não referem a promoção que permite aos utilizadores de Sapo ADSL ligarem-se de forma gratuita em qualquer Wi-Fi Hotspot da PT (estão espalhados às centenas em todos o pais, desde estações Galp a todos os restaurantes da Cadeia MacDonalds e Centros Comerciais).

  • Não apresentam qual a cobertura actual do território nacional por estas redes, sendo que nem todo o território nacional possui cobertura.

  • E mais que tudo, conseguem dizer muito menos que os anúncios das operadoras, que por si dizem muito pouco.

É normal num artigo onde se promete dizer “Tudo sobre a banda larga sem fios”, se diga tão pouco? Ou é apenas o olhar que por ser marciano exige coisas demais?

8 comments

  1. Pelos vistos este tipo de jornalismo implica automaticamente que os artigos são feitos em 5min a partir de uma qualquer fonte ou dizendo apenas meia duzia de palavras que vieram á cabeça do autor no momento. Não que eu não leia também o metro ou o destak quando os apanho, até porque o faço com muito gosto, mas a verdade é que até a qualidade ortografica dos artigos deixa muito a desejar (e isto deveria ser algo do mais basico). É pena mas é como se diz: a cavalo dado… :-?


  2. O Destak então está cada vez pior. As crónicas do Metro ainda há um ou outro que escrevem muito bem.

    Mas as noticias… E os artigos…


  3. Talvez o título do artigo fosse “Tudo sobre redes sem fios, sem placas, sem modems, sem nada…” e, por erro de impressão, tenha ficado “Tudo sobre redes sem fios” :)


  4. O Destak e o Metro são-me bastante familiares, todos os dias leio antes de entrar para as aulas,
    Mais por falta de dinheiro para comprar um jornal todos os dias do que outra coisa.
    Não tem uma boa qualidade jornalistica, mas entretem, especialmente o sudoku da ultima pagina.
    O titulo… Bem, há que chamar atenção de alguma maneira. Aliás, eles t~em pouco espaço destinado a tecnologias para pôr “tudo” ou sequer “alguma coisa” sobre banda larga sem fios.


  5. Provavelmente quem escreve este tipo de artigo nem sabe a diferença entre uma placa PCMCIA e um adaptador USB, quanto mais dizer “tudo” sobre internet sem fios.

    Desde que ouvi a expressão “internet para crianças” como argumento de venda de um pacote ADSL… acredito em tudo.


  6. P.S. Parabéns pela nova imagem do blog! 5 estrelas.


  7. K@ffa, nunca se sabe :p

    Umbrae: O soduku ainda se safa e os horoscopos do Metro dão para rir, o que é bom.

    Raquel: Estes senhores são provavelmente daqueles que telefonam aflitos para o Helpdesk porque o “porta copos” partiu-se. O obrigado pelo PS :D


  8. È o que dá artigos para encher chouriço =P De qualquer maneira não se podia esperar mais de jornais desse tipo. Ai talvez o facto de serem de graça justique a qualidade dos artigos…



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